• Nasceu em 31 de agosto de 1870, na Itália;
• Foi a primeira mulher médica italiana;
• Estudou as crianças com deficiências psíquicas;
• Criou, em 1907, a primeira “Casa dei Bambini” para crianças normais, inovando em todos os aspectos pedagógicos;
• É autora de muitos livros;
• Criou um método de ensino que abrange, hoje, da gestante até o bebê, da criança até o adolescente, e o professor especializado;
• Desenvolveu uma filosofia de autoeducação através da cultura, da responsabilidade e da liberação das potencialidades profundas do ser;
• Utilizou materiais concretos para representar conceitos abstratos;
• Lutou por uma nova concepção para a infância; participante da elaboração do documento sobre os Direitos da Criança;
• Sofreu perseguições pelo caráter democrático de sua obra, tendo que mudar-se muitas vezes;
• Disse, sempre, que a metodologia que leva seu nome não estava concluída e que sua estrutura sempre permitiria adequações a culturas e a sociedades diversas;
• Acreditou na universalidade do Homem e na sua capacidade inata de ser bom e digno;
• Foi amiga de grandes personalidades como Gandhi, Tagore, Freud e outros que defenderam o homem e sua liberdade;
• Viveu em liberdade condicionada na Índia durante a 2ª Guerra, tendo tido imenso acolhimento pelo seu método e filosofia;
• Formou seguidores que estenderam o método Montessori a todos os continentes, nas mais diferentes culturas;
• Morreu com quase 82 anos, em 6 de maio de 1952, na Holanda, completamente lúcida, projetando sua viagem ao continente africano;
• Maria Montessori teve um filho – Mario M. Montessori – que sempre a acompanhou em suas viagens e que continuou divulgando o método Montessori após a sua morte;
• Montessori esperou sempre que sua proposta educativa preparasse o Homem do Futuro, isto é, o homem que viveria numa sociedade mais justa, mais harmônica;
• Seu túmulo tem a forma de dois braços envolvendo o mundo e neles estão escritas suas palavras.
“Peço às queridas crianças, que tudo podem, para unirem-se a mim para a construção da paz nos homens e no mundo.”
| :. MARIA MONTESSORI: UMA HISTÓRIA NO TEMPO E NO ESPAÇO |
Nascimento e filiação
Maria Montessori nasceu em Chiaravalle, Província de Ancona, centro da Itália, em 1870 (ano da unificação italiana). Seu pai, Alessandro Montessori, era um homem antiquado, de temperamento conservador e de hábitos militares (foi soldado na juventude e, posteriormente, servidor público). Sua mãe, Renilde Stoppani, era educada, estudiosa e muito religiosa.
A infância, aos 10 anos, Maria adoeceu severamente. Seus pais ficaram preocupadíssimos, porém ela os tranquilizou:
“Não temam, não morrerei! Tenho muito que fazer!”
Formação acadêmica / profissional
Aos 14 anos, em Roma, inicia o curso secundário no Instituto Técnico Leonardo da Vinci.
Aos 20 anos, obtém licenciatura na cadeira de Físico-Matemática.
Aos 22 anos, diploma-se em Ciências Naturais pela Faculdade de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais, da Universidade de Roma. Ao se deparar com uma mulher carregando uma criança embrulhada em um jornal, Maria, movida pela indignação, inscreve-se na Faculdade de Cirurgia da Universidade de Roma. Apesar da oposição do diretor, Maria segue sua nova opção, embora alijada pelos colegas. Após apresentar brilhantemente sua primeira Conferência, Maria é, então, aceita pelos colegas. Sempre preocupada com o contexto social, ainda durante o curso de medicina, Maria representa a mulher italiana no Congresso Internacional dos Direitos Femininos, em Berlim.
A partir desse momento, seus discursos foram transcritos em vários jornais do país.
Aos 26 anos, diploma-se em Medicina. Tornou-se uma das 1as. médicas italianas. Defende tese de psiquiatria
e é indicada para médica-assistente da Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma, e ali descobre o
potencial das crianças.
Vai à Paris, passa três anos estudando as experiências de Itard e Séguin. Maria ocupa-se horas observando as crianças recolhidas nos asilos e, após acolhê-las e trabalhar as possíveis habilidades, apresenta-as para exame nas escolas ditas “normais” de Roma; o sucesso é reconhecido.
Aos 28 anos, termina o doutorado em Ciências Médicas e passa a dirigir o Instituto Ortofrênico, onde ficavam as crianças psiquicamente afetadas. Durante sete anos, desenvolveu um trabalho com estas crianças, faz conferências e, afinal, descobre sua vocação para a Educação. Aos 30 anos, rege a cadeira de Antropologia Pedagógica e Higiene do Instituto Superior de Magistério Feminino de Roma. Repassa sua vida e decide estudar Filosofia, Psicologia e Pedagogia com enfoque na criança considerada normal.
Em 1907, surge a 1a Casa dei Bambini, no bairro operário de São Lourenço. Maria descobre o poder da livre
movimentação, opção pelas várias atividades...
Três meses após, surge a 2ª Casa dei Bambini em Roma. A rainha Margherita de Savóia preconiza: uma nova filosofia de vida surgirá disto que estamos aprendendo com estas crianças. Uma educadora religiosa vaticina: esta descoberta é mais importante que a de Marconi.
Cria-se a Sociedade Montessori em Roma. Outros centros Montessori anos são abertos. Maria publica livros, inicia os cursos de formação de professores. Ao fazer um tour de conferências nos Estados Unidos, Maria participa da fundação da American Montessori Society, a qual Graham Bell é eleito presidente. Outras “Casa dei Bambini” são abertas e, em Roma, surge a Opera Montessori da qual a rainha mãe é patronesse. Freud, cuja filha é aluna de uma das “Casa dei Bambini”, escreve à Maria e diz-se honrado em assinar seu nome ao lado do dela. Maria é solicitada para conferências em todo mundo e mais um interesse surge em sua vida: a Educação para a Paz.
Aos 52 anos (1922), na Itália, o movimento montessoriano continua a prosperar, embora, após a 1ª Grande Guerra, a Itália torna-se um país de regime fascista. Após a instalação do 1º Gabinete organizado sob a direção de Mussolini, as escolas montessorianas de Nápoles são prontamente fechadas.
Em 1926, para não contrariar a simpatia popular, Mussolini convida Maria para uma entrevista e afirma em público que há, na Itália, três grandes M's: Mussolini, Marconi e Montessori.
Aos 60 anos (1930), inaugura curso em Roma, encontra-se com Gandhi e, um ano mais tarde, publica "Educação para Paz". Nesta época, Maria vive em Barcelona, quando surge a guerra civil Espanhola. O Rei Jorge VI manda uma armada buscar Maria e seus familiares para levá-los à Inglaterra.
Aos 69 anos (1939), Maria ministra um curso na Índia para 300 professores.
Aos 70 anos (1940), com a guerra na Itália, Maria fica protegida pela Sociedade Teosófica, já que a Índia era parte do Império Britânico. Seu filho, Mário, está num campo para civis em Amednagar, porém Maria recebe uma carta do vice-rei da Índia, que lhe dá de presente autorização para seu filho visitá-la em seu aniversário.
Aos 76 anos (1946), retorna à Europa depois de 8 anos no Oriente. Em Londres, dá o 1º Curso Internacional do pós-guerra, com a colaboração de seu filho Mário. Continua seu trabalho, publica novos livros, recebe o título de Doutor em Letras pela Universidade de Durhan (Inglaterra); as instituições montessorianas reflorescem.
Aos 77 anos (1947), após 9 anos de afastamento de seu país, Maria é convidada e homenageada, no Parlamento italiano pelo Ministro da Instrução Pública.
Aos 78 anos (1948), retorna à Índia e a vários outros lugares do mundo.
Quase aos 82 anos (1952), no dia 6 de maio, Maria é convidada para ir à África. Maria sabe que se há crianças
no mundo que precisam de ajuda, são aquelas das nações africanas. Seu filho argumenta a distância e a sua
avançada idade, porém Maria sugere que vá pegar um atlas. Mário vai e ao retornar encontra-a livre para
trabalhar apenas através da inspiração de seus discípulos, que, como nós, querem perpetuar a Educação
para a Paz no Mundo.
Quadros vivos apresentados pelo Centro Educacional Montessoriano Reino Infantil, em São Luis do Maranhão, em comemoração ao Centenário da 1ª “Casa dei Bambini”, em Roma, no bairro de San Lorenzo. 1907-2007
Texto elaborado pela Creche-Escola PETRA-Pequeno Trabalhador, do Rio de Janeiro.
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Um homem simples e inocente. Um homem extremamente generoso, tímido e exuberante. Um homem contemplativo, porém ativo. Um homem que amou a vida apaixonadamente e que permaneceu jovem até o dia de sua morte.
Mario amava a Terra; o que estava escondido nela; o que aí vivia e crescia.
Ele amava o céu, o sol, as nuvens, a lua e as estrelas. Ele amava o vento, as tempestades e o mar.
Ele amava desafiar os elementos. Amava montar a cavalo, remar e nadar.
Mario apresentava-se, sempre, impecável. Gostava de bons trajes e, quando jovem, usava polainas, chapéus e elegantes paletós.
Amava comer e gostava de cozinhar, beber e fumar. Gostava de mulheres bonitas, música e canções; nada havia de ascético em sua vida, embora ele tenha optado por uma vida de ascetismo. |
Mario já nasceu um professor
Amava as crianças, muito em especial os bebezinhos aos quais chamava de “fazedores de milagres” e com os quais mantinha longas conversações, que os recém nascidos acompanhavam, com fascínio, pelo movimento de seus lábios.
Entretanto, de todos seus inúmeros amores, jamais houve algum que se comparasse ao amor que sentia por sua mãe e pelo trabalho inovador que ela fazia. Um amor tão profundo que dominou toda sua existência. Sua dedicação a Maria Montessori era de consciente e livre escolha e não o resultado de um apego filial, afinal ele era maior de quinze anos quando, pela primeira vez, a conheceu e conviveu com ela – bem tarde para um complexo de Édipo. Ela não ocupara nenhum espaço em sua vida no período de sua mente absorvente. Jamais houve dúvidas sobre a completa secção do cordão umbilical que os unira. Ele viveu para ela, com ela, mas não através dela.
O surpreendente é que neste homem destituído de qualquer formação acadêmica ou escolástica havia uma profunda clareza e uma compreensão total do trabalho que a mente de sua mãe criava. Uma inteligência intuitiva e uma abertura de espírito tal que lhe permitiam estar lado a lado com Maria Montessori, acompanhar seus saltos quânticos, da primeira à enésima dimensão, chegando a certos pontos ou princípios, em diferentes ocasiões, antes mesmo dela, o que facilitava para Maria um vôo mais alto. Nada do que ela deduzia, desenvolvia ou postulava jamais o surpreendeu. Eles estão juntos num nível superior de entendimento e criação.
Graças a Mario, Maria Montessori não sofreu a sensação de isolamento tão comum aos gênios, que leva pela época histórica e idade a uma permanência estática. Porém, ele não foi apenas uma inteligente barreira de eco para as idéias dela, ele ajudava a clareá-las, dava forma a estas idéias e, com isto, ela prosseguiu desenvolvendo sua mente singular até o final. Quando, com o passar dos tempos, ela confiou mais e mais sua carga de trabalho nas mãos dele, organizando cursos, examinando alunos, discursando sobre materiais, vida prática etc, ele incumbia-se de todos os detalhes e complicações inesperadas em conferências e cursos de treinamento. Protegendo-a do desgaste com praticamente todos os detalhes, ele deu à Maria Montessori chance de se concentrar completamente no seu trabalho criativo. Ele apresentava a ela idéias novas e não apenas reações. A medida que avançava em anos, a cumplicidade dos dois tornou-se completa. Sem ele, ela teria ficado frustrada com a falta de compreensão, retirando-se a um exílio espiritual, incapaz de lutar sozinha para preservar a pureza de seu trabalho. Com a sua compreensão, o seu entusiasmo e confiança no valor de sua visão cósmica para o desenvolvimento da humanidade, ele tornou-se um pilar de seu trabalho. Após a morte de sua mãe, ele continuou sua luta contra todas as adversidades, todos as disputas por poder, todas as intrigas; ele continuou a lutar pela criança – a criança, pai do homem.
Mario Montessori, meu pai, foi um homem extraordinário.
| :. MARIO MONTESSORI, MEU PAI |
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Mario Montessori nasceu em Roma em 31 de Março de 1898. Filho de Maria Montessori, foi seu protetor, companheiro constante e principal esteio de seu trabalho. A ética Montessori não admite idolatrias, mas a AMI decidiu celebrar o centenário de seu aniversário de nascimento,em Roma, em 1998, com uma cerimônia tranquila e apropriada para lembrá-lo. Sem apelar para sentimentalismos, vale lembrar que as pessoas que o conheceram e que trabalharam com ele estão desaparecendo pouco a pouco. Construir uma capela virtual em sua memória estaria fora de cogitação e poderia ser irritante para os que não o conheceram. |
Mas, porque então a AMI homenagearia Mario Montessori?
Por três razões:
Primeira, porque ele foi um montessoriano de suma importância. Ele criou uma estrutura montessoriana tão sólida - um arcabouço para o ambiente preparado - com excelência tangível e intangível, no qual Maria Montessori pode melhor realizar seu potencial. Construção que eventualmente transformou-se na AMI, sede do ideal e da prática de Maria Montessori.
Segunda, em reconhecimento a sua incalculável contribuição a uma nova estrutura dos “materiais de desenvolvimento” e da Metodologia Montessori, como resultado de um diálogo permanente entre ele e sua mãe.
Terceira, porque para o momento atual , este é um chamado ao trabalho para as presentes e futuras gerações de Montessori anos e também uma resposta à constante preocupação de Mario com a continuidade do Movimento Montessori em todas as dimensões.
Entretanto, acima e além de tudo, porque o homem tem uma tendência para esquecer que a vida é a mais alegre aventura e que devemos vivê-la festivamente. Nenhuma homenagem é pequena diante de um exemplo de vida celebrada, apesar das vicissitudes pessoais e globais, em meio a um projeto que envolve todos os povos da Terra do que a de Mario Montessori.
| :. LINHA DO TEMPO DE MARIO M. MONTESSORI |

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