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Associação Brasileira de Educação Montessori -A ABEM - foi fundada em 17 de outubro de 1973, através de um pedido de Mário M. Montessori, filho da Dra. Maria Montessori, com o objetivo de defender e propagar, no Brasil, os valores do pensamento e da obra de sua mãe.
Em 1992, a ABEM lançou sua versão internacional: a BMS – Brazilian Montessori Society. Os, até então, 19 anos de estudo, prática, pesquisa e dedicação aos princípios Montessori anos no Brasil, através de cursos de treinamento de professores e prática escolar para crianças de todos os níveis criaram, na ABEM/BMS, a urgência de uma comunicação mais abrangente com o mundo Montessori “al di lá” de nossas fronteiras.

A forma hexagonal é a unidade da célula de estrutura com que se consegue a organização. Organização até de uma vida humana que se começa. A estrutura, a
maneira pela qual as unidades se inter-relacionam. Com o posicionamento perfeito dessas unidades, obtém-se o conjunto sólido, compacto e harmonioso. A árvore, símbolo base de estrutura, o homem e sua ilimitada capacidade de criar, de prosseguir a espécie, de pensar,
evoluir, libertar-se. O fruto, unidade hereditária, subsídios postos à análise. Mas, sobretudo, razão de ser uma árvore.
Associar professores e educadores sempre foi o objetivo principal da ABEM, que visa formar uma consciência mais clara e realística do potencial humano e desenvolver esse potencial ao máximo para sua mais plena expressão, no que concerne à construção do adulto, fato que, sem dúvida, é obra da criança – construtora de si mesma e do adulto.
De imediato, a ABEM/BMS busca se relacionar com a Opera Nazionale Montessori, de Roma, e com a Fondazione Chiaravalle Montessori, também na Itália, além de contatos na Europa, com a AMI, nos Estados Unidos, com a AMS, a NAMTA e com o CIM – Consejo Interamericano Montessori, de grande representação na América Latina.
A ABM/BMS torna-se participante ativa, no Brasil e no mundo, em movimentos ecológicos, holísticos, de pesquisas ambientais e psicológicas, que implementam os meios para a obtenção de maiores e melhores recursos a fim de oferecer às crianças o ambiente preparado, facilitando e promovendo o desenvolvimento do potencial humano.
A confraternização, a troca de informações e o espírito de cooperação com o mundo todo, para que planos e metas compartilhadas somem um sucesso maior para todos sempre foram desejos da ABEM/BMS.
Hoje, aos 38 anos de existência, a ABEM/ BMS apresenta-se, não apenas como uma associação de professores e educadores, mas assume a missão de fazer pontes entre os educadores de todo o mundo que partilham dos ideais Montessori anos, divulgando, em suas publicações, o pensamento e a experiência de educadores de várias culturas e procedências, como os “Educadores sem fronteiras” promovido pela AM, o CIM na América Latina e muitas outras experiências e práticas do Montessori por entidades que atuam, vivamente, junto às populações indígenas da América Latina e às comunidades de baixa renda, trazendo, com a bandeira Montessori, uma chama de amor e de esperança para todas as crianças e a possibilidade de construção de um mundo mais justo, mais feliz, mais pacífico e mais verdadeiro para todos.
OBJETIVOS DA ABEM/BMS
1. Integrar-se ao movimento Montessori internacional para manter os princípios e, na medida do possível, atuar em harmonia e sincronicidade, somando esforços para obter um resultado significativo para o mundo das crianças, dos jovens e dos adultos.
2. Associar professores, em especial que atuem no universo escolar montessoriano, assim como educadores em geral, pais e tutores, e mesmo instituições escolares, criando um grupo de estudo permanente, com acesso às propostas internacionais.
3. Desenvolver a capacitação de professores segundo os critérios internacionais baseados no tema "Quatro Planos da Educação Montessori".
4. Definir parâmetros para a confecção de material Montessori para professores ou indústrias.
5. Incrementar e orientar a publicação de literatura especializada Montessori no Brasil.
6. Promover encontros e estudos entre especialistas Montessori anos do Brasil e da América Latina, divulgando as decisões a nível internacional.
7. Publicar o ABEM/BMS - Brasil News para divulgação de textos e vídeos inéditos, boletins e web site.
8. Certificar escolas montessorianas que apresentem à sociedade os três itens básicos segundo padrões internacionais: ambiente preparado, materiais de desenvolvimento e professores especializados, formando crianças pacíficas, autônomas, com conhecimento abrangente e perspectivas de uma ação cidadã.
PRINCÍPIOS ABEM/BMS
Na Missão
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As escolas montessorianas têm como meta o desenvolvimento das habilidades e talentos de cada aluno, procurando dar sentido prático à aprendizagem para possibilitar melhor integração do aluno/indivíduo à sociedade. A metodologia montessoriana procura desenvolver a inteligência através de processos operativos e autoconstrutivos. |
No Sentido de Aprendizagem
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Para nós, o verdadeiro aprender estrutura-se no tripé: a família, que conhece bem a proposta curricular de nossas escolas, pode favorecer a integração da criança no ambiente social e avaliar, com a escola, tudo o que o aluno aplica em seu dia-a-dia e a segurança com que resolve suas situações-problema. |
Na Organização das Turmas
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O agrupamento, ou junção de alunos de 2 a 3 faixas etárias diversas, sempre foi visto como uma proposta ousada de Maria Montessori. Hoje, este conceito é completamente aceito no meio acadêmico, na lei e nas mais variadas propostas pedagógicas, que, enfim, se aperceberam da artificialidade do trabalho seriado.
Em nenhum outro espaço da vida, indivíduos são limitados a relacionarem-se estritamente com outros indivíduos de sua mesma faixa etária, como nas escolas tradicionais. Uma criança maior tem muito prazer de ensinar à menor o que já sabe e vice-versa. É aí que o verdadeiro conhecimento se constrói. |
Na Estrutura dos Espaços
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Apresenta-se de três maneiras diferentes:
- Salas-ambientes especializadas (de 2 a 8 anos);
- Laboratórios do Conhecimento (de 9 anos em diante);
- Oficinas para o Trabalho + Empreendedorismo (de 8 anos em diante).
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Cada sala ou agrupamento montessoriano procura, primeiro, expressar o ambiente acolhedor de uma casa, com tudo no seu lugar e acessível ao aluno, facilitando a sua independência e a aquisição de responsabilidades cada vez mais complexas. Como o ambiente de sala deve ser uma representação do mundo ou um microcosmo social, os materiais contemplam as áreas da linguagem, matemática, história, geografia, ciências, geometria, artes plásticas, música, psicomotricidade e outras afins.
No Material Didático
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As escolas montessorianas possuem um “enxoval” ou aparato de materiais especializados que em suas formas tri ou bidimensionais, expressam todos os conceitos que o aluno precisa absorver com sua mente e suas percepções naquele ano escolar.
Os materiais, em geral, servem a 2/3 faixas etárias, sendo que alguns são usados em etapas posteriores, representando conceitos mais abstratos, como, por exemplo, os algébricos.
O uso dos materiais é complementado por atividades dinâmicas e criativas de escrita, leitura, pesquisa, artes, informática, além de atividades práticas que possibilitam a aplicação dos conceitos adquiridos.
Os materiais concretos são considerados como o “professor que permite livre acesso, livre opção, uso consciente, com autocorreção”. (Maria Montessori) |
No Corpo Docente
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Os professores são orientadores de aprendizagem através do processo de autoconstrução, levando “seus alunos ao aprendizado significativo, isto é, dando sentido ao conhecimento aplicado na vida real, onde, hoje, os valores são transitórios, num mundo onde tudo acontece velozmente, virtual e coloridamente.” (Encarte Educação - Veja/SP) O professor é o grande incentivador das descobertas, da conquista da autoestima e do prazer do aprender. Ele é o arquiteto do construir-se. |
No Processo de Inclusão
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Algumas escolas montessorianas, por sua missão, propõem-se ao desafio de trabalhar na construção de uma sociedade inclusiva, abrindo seu espaço para o atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais, pela possibilidade de realizar um bom trabalho em que diferenças são bem-vindas e enriquecedoras, sempre no sentido de refletir a sociedade na qual nos inserimos, transformando-nos e transformando-a. |
Na Avaliação
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A avaliação é vista como processo diário, alimentando nossa prática pedagógica. É através dela que podemos rever propostas, ajustar interesses e esclarecer dúvidas. Nosso aluno aprende que a autoavaliação e a avaliação em grupo são importantes, pois criam espaço de fala, reflexão e escuta, momentos de verdadeiro aprendizado para todos. A família, bimestralmente, participa do processo avaliatório da produção de seu filho, mas preocupando-se também do como ele é em casa, o que produz e a forma como expressa seu conhecimento e os valores de sua comunidade. É importante que o aluno sinta que sempre será avaliado, mas que o importante é como ele se avalia e como sua família o percebe. |
Na Interação com a Família
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O acolhimento das famílias nas escolas montessorianas é parte de sua missão educativa, pois os pais, a escola e a sociedade são, realmente, os responsáveis diretos pela vida educacional de cada aluno. As equipes, por missão e ideal, são muito fraternas e conciliadoras.
Deseja-se que o adulto, professor, pais de alunos, direção, ou seja, todos vivam uma relação aberta, franca e promissora de integração. |
Conclusão
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As escolas montessorianas e suas equipes consideram que fazem um trabalho muito especial, não diretivo, integrado, não só às atuais leis brasileiras, mas aos desejos de transformação de uma sociedade nada humanista, que precisa formar cidadãos conscientes, críticos, saudáveis emocionalmente, podendo competir nos “vestibulares” da vida, sem mecanismos e com competência.
Talita de Almeida
Educador Montessori Internacional |
META 2011 / 2012
Continuidade do Montessori no Brasil
Educação de 9 a 15 Anos - Programa, Materiais e Dinâmica
A Educação Infantil Montessori – 3 a 6 anos, está bem estruturada e praticada no Brasil. Mas, ainda torna-se importante divulgar o Padrão Montessori desta faixa etária e desenvolver cursos para a Educação de zero a três, ainda pouco explorada em nossas escolas.
Em 2005, 2006 e 2007 a ABEM desenvolveu cursos para o Ensino Fundamental, 1º segmento, de 6 a 9/10 anos, abrangendo a teoria e a prática do conhecimento, com apresentação de mais de 100 materiais em todas as áreas, baseados em manuais e CD’s de confecção.
Após realizar em 2003 e 2004 o curso com o Prof. Luciano Mazzetti, no México, o Colégio Constructor Sui, no Rio de Janeiro, começou a implantar os Laboratórios do Conhecimento e as Oficinas de Trabalho, para as classes de 9 a 12 anos e de 12 a 15 anos, com sucesso, inclusive com alunos com dificuldades de aprendizagem. Alunos concluíram o Ensino Médio e prosseguiram os Estudos Superiores e outros já se profissionalizaram. Neste projeto, integrou-se a Visão Empreendedora, já praticada no colégio há alguns anos.
Em 2007, à época do Centenário da 1ª “Casa dei Bambini”, constatamos o grande desejo da Itália de desenvolver o projeto “Secondaria”e apresentamos o do Constructor Sui para avaliação.
Em Perugia, o Prof. Luciano Mazzetti dirige a escola Secundária e o Liceu ( Ensino Médio) de acordo com os ideais de Maria Montessori – “Erdkinder” ou os Meninos da Terra. Outros grupos possuem o mesmo interesse,mas este ciclo depende do governo que o oferece gratuitamente. Os estudos prosseguem, pois a meta é dar continuidade à Educação Montessori que forma seres não violentos, voltados para uma cultura universal.
Em 2008, tivemos, na Prima Escola Montessori de S.Paulo, o curso da Betsy Coe, que desenvolve na School of the Woods,em Houston, Texas, EU. um modelo extremamente interessante com resultados reais na continuidade dos estudos. O mesmo sucede na Prima Escola, que aplica as orientações de Betsy Coe, fazendo há alguns anos um trabalho extremamente cuidadoso, dando base à continuidade dos estudos em escolas consideradas “top of the line”.
Sabedora de que Elena Young, do Chile, estudara o mesmo tema com David Kahn, da NAMTA, nos Estados Unidos, e que o aplica no Colégio Huelquen Montessori, em Santiago, decidimos observar o trabalho e fazer um estudo comparativo entre as diferentes práticas para apontar caminhos para o desenvolvimento deste estudo no Brasil.
A análise destas experiências baseadas nos escritos de Maria Montessori, cremos, que proporcionará às escolas do Brasil a possibilidade de pouco a pouco, irem introduzindo do 6º ao 9º ano os princípios e a dinâmica montessoriana como fez, em 2008, o Colégio Maria Montessori, de Campo Grande, MS.
A técnica dos laboratórios abre novos horizontes ao 2º segmento do Ensino Fundamental e mesmo ao Ensino Médio, mas torna evidente a necessidade de sérios ajustes no 1º segmento do Fundamental, assim como Nido e na Educação Infantil. Os ajustes não estão num programa mais extenso. Ele precisa ser mais profundo, realizado num verdadeiro Ambiente Preparado onde a criança adquire autonomia e desde sempre seja o construtor de seu conhecimento, objetivando desencadear o interesse do aprender e não o forçar da memória para fazer “provas”.
A construção do conhecimento segue em patamares, passo a passo. Este momento é muito importante e estamos convidando-os para estudarem conosco e construírem o futuro...
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